Encontrei-o no fundo de uma gaveta, um papel velho, enrugado e rasgado, não sei quantos anos tem ou quem escreveu. Está incompleto, mas mesmo assim vale a pena.
1º
Junto de um berço adornado
com rendas de alto valor,
vinte rostinhos alegres
se agitavam com ardor.
Falavam! as tagarelas!
Oh, Deus! que inventaram elas!
Vão um baptismo fazer
na festa nada faltava;
Tudo ria e conversava
nesse inocente prazer.
2º
Molemente reclinada
no seu bercinho gentil,
a bonequinha enfeitada,
mostrava o rosto infantil;
a respeitável madrinha
que apenas dez anos tinha,
em seus braços a tomou;
e toda a turba, apinhada
ao redor da baptizada,
em grupo se amontuou.
3º
Doces, confeitos, gelados,
com gastos e com profusão,
as louquinhas tudo haviam
preparado de antemão;
Que hoje em dia felizmente
uma boneca decente
não se pode baptizar
sem flores e doces finos...
nem os repiques dos sinos
lhe haveriam de faltar!
4º
Apenas cada menina
o seu bolinho comeu.
A respeitável madrinha
à festa principio deu:
minhas amigas queridas,
que estais aqui reunidas
para a Bebé baptizar,
já que fostes convidadas,
fingi que sois boas fadas
e vinde a Bebé fadar.
5º
Tu, primeiro, Margarida,
responde: que lhe darás?
-Eu quero que seja linda.
E tu Rosa, que lhe dás?
-Eu concedo-lhe a riqueza.
E tu pequena Tereza?
-Eu quero que dance bem.
-Eu, que ela tenha talento.
-Eu, que num só momento
cause desgosto a ninguém.
6º
-Eu dou-lhe um riso engraçado.
-Eu, uns dentes de marfim.
-Eu, uns olhos de safira.
-Eu, uns lábios de carmim.
-Eu, uns cabelos dourados,
lustrosos e encanudados.
-Eu...não sei que dar-lhe mais!
-Basta filhas, ( diz sorrindo a mestra, que estava ouvindo)
já mais dotes não achais.
...
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sábado, 14 de abril de 2012
sexta-feira, 30 de março de 2012
conselhos ás senhoras casadas




Eis diversos conselhos ás senhoras, que se fossem seguidos, fariam não só a felicidade dos maridos como das suas caras metades, assegurando assim a paz domestica. Antecipadamente deve convencer-se e que há dois meios de governar uma familia, um pela expressão de vontade que pertence á força; o outro pelo irresistivel poder da doçura, que é muitas vezes superior á força. O primeiro pertence ao marido - a mulher só deve usar do segundo. A mulher que diz «eu quero» deve perder a parte que lhe cabe no governo da familia. A mulher deve evitar sempre contradizer o seu marido. Quando se colhe uma rosa só se espera o prazer dos perfumes, assim da mulher só se deve esperar o agrado. A mulher que se constitui em continuada oposição, é vitima da aversão, aumentada pelo tempo, e de que a não livram todas as qualidades boas que a adornem. Não deve intrumeter-se nos negócios de seu marido e só esperar que ele lhos confie - assim como não deve aconcelhá-lo senão quando ele a consultar.
Não deve mostrar-se irascivel nem altercar com seu marido. Deve dar o exemplo praticando virtudes, porque é a maneira de as fazer praticar. Não exigir coisa alguma, para obter muito; e mostrar-se sempre satisfeita com as dádivas de seu marido, para que o excite a fazer-lhe outras.Muitas vezes os homens são vaidosos e insuportaveis, mas nem por isso se deve contradizer essa vaidade, ainda nas coisas mais livres; e por muito superior que uma mulher se julgue a um marido deve sempre mostrar que não conhece essa vantagem. Quando o marido estiver em erro é conveniente não lho demonstrar logo, e sim por maneiras convenientes; e com doçura e carinho levá-lo a pensar melhor; deixando-lhe sempre o mérito de ser ele quem acertou com o que era menos justo e acertado. Responder sempre ao mau humor de seu marido, com afectuosidades; a seus desacertos com bons concelhos e não se valer nunca de qualquer falta que ele cometesse para lh'os lançar em rosto nem humilhá-lo.
Fazer uma boa escolha das suas amigas, ter poucas, e desconfiar sempre de seus concelhos - nem dar crédito a intrigas para se não tornar odiosa a seu marido nem á sociedade. Gostar muito do aceio; nunca do luxo; vestir-se com elegância mas sempre com decência. Variar o feitio dos seus vestidos e sobretudo as cores; porque se um dia em que se vestir de escuro, por exemplo, houve algum desgosto - no dia seguinte deve vestir-se de branco- porque desta forma distraírá as ideias , evitando recordações desagradáveis. Este concelho parece pueril, mas é pelo contrário mais importante do que se imagina; e muitas mulheres há que bem compreendem o império que exerce nas ideias.
Não se imtrometer nos negócios do marido é atrair-lhe a sua confiança, confiando-lhe todos os seus segredos- observando a maior ordem em tudo , e nunca se aborrecer da sua casa nem do seu estado para que o marido não ache outra mais agradável.Dar sempre a entender que tem em muito apreço as luzes e o conhecimento de seu marido, encarecendo-o sempre, e muito mais diante de estranhos; ainda que para isso seja preciso fazer passar por menos sensata a sua opinião - porque a mulher é sempre levada á altura da apreciação que faz do seu marido. A mulher deve deixar a seu marido a liberdade de suas acções - deve enfim fazer a companhia tão gostosa a um marido, que ele não possa passar sem ela; e que os prazeres fora de casa lhe sejam sempre insipidos quando os não partilhe a sua esposa.
Não sei quem escreveu, mas serve para nos mostrar como era a vida das mulheres do século passado, e como elas, inteligentemente e com doçura conseguiam ter poder junto do seu marido.
Não deve mostrar-se irascivel nem altercar com seu marido. Deve dar o exemplo praticando virtudes, porque é a maneira de as fazer praticar. Não exigir coisa alguma, para obter muito; e mostrar-se sempre satisfeita com as dádivas de seu marido, para que o excite a fazer-lhe outras.Muitas vezes os homens são vaidosos e insuportaveis, mas nem por isso se deve contradizer essa vaidade, ainda nas coisas mais livres; e por muito superior que uma mulher se julgue a um marido deve sempre mostrar que não conhece essa vantagem. Quando o marido estiver em erro é conveniente não lho demonstrar logo, e sim por maneiras convenientes; e com doçura e carinho levá-lo a pensar melhor; deixando-lhe sempre o mérito de ser ele quem acertou com o que era menos justo e acertado. Responder sempre ao mau humor de seu marido, com afectuosidades; a seus desacertos com bons concelhos e não se valer nunca de qualquer falta que ele cometesse para lh'os lançar em rosto nem humilhá-lo.
Fazer uma boa escolha das suas amigas, ter poucas, e desconfiar sempre de seus concelhos - nem dar crédito a intrigas para se não tornar odiosa a seu marido nem á sociedade. Gostar muito do aceio; nunca do luxo; vestir-se com elegância mas sempre com decência. Variar o feitio dos seus vestidos e sobretudo as cores; porque se um dia em que se vestir de escuro, por exemplo, houve algum desgosto - no dia seguinte deve vestir-se de branco- porque desta forma distraírá as ideias , evitando recordações desagradáveis. Este concelho parece pueril, mas é pelo contrário mais importante do que se imagina; e muitas mulheres há que bem compreendem o império que exerce nas ideias.
Não se imtrometer nos negócios do marido é atrair-lhe a sua confiança, confiando-lhe todos os seus segredos- observando a maior ordem em tudo , e nunca se aborrecer da sua casa nem do seu estado para que o marido não ache outra mais agradável.Dar sempre a entender que tem em muito apreço as luzes e o conhecimento de seu marido, encarecendo-o sempre, e muito mais diante de estranhos; ainda que para isso seja preciso fazer passar por menos sensata a sua opinião - porque a mulher é sempre levada á altura da apreciação que faz do seu marido. A mulher deve deixar a seu marido a liberdade de suas acções - deve enfim fazer a companhia tão gostosa a um marido, que ele não possa passar sem ela; e que os prazeres fora de casa lhe sejam sempre insipidos quando os não partilhe a sua esposa.
Não sei quem escreveu, mas serve para nos mostrar como era a vida das mulheres do século passado, e como elas, inteligentemente e com doçura conseguiam ter poder junto do seu marido.
sábado, 23 de abril de 2011
conselho
Numa gaveta encontrei mais um pequeno tesouro, um pequeno rascunho com uma pequena grande verdade escrita:
Nós somos as nossas acções. Não somos o que os nossos amigos dizem, nem o que os nossos inimigos desejam.
In a drawer i found one more little treasure, a paper with a little big truth written:
We are our actions. We aren't what our friends say, or what our enemies whish.
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