domingo, 15 de julho de 2012

O caminho certo

"eu podia estar mais perto
do que eu queria para mim
só que eu já não sei ao certo
onde foi que eu pensei chegar" (...)

Manel Cruz

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O quarto filho

Este foi um bebé surpresa , como eu nunca pensei que me pudesse acontecer. E apesar de ser ainda um ser minúsculo fez a minha vida mudar completamente . É tempo de abrandar, e muito, agora ele está primeiro.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Descoberta

Na esperança da luz evoquei a escuridão
Na esperança do som evoquei o silêncio
E aí te encontrei entre a minha sombra e a luz da tua voz.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Primavera




Alain de Botton

Para quem não viu o programa Câmara Clara de ontem, recomendo que o vejam.

For those who have not seen the program  Câmara Clara of yesterday, I recommend you to see.

sábado, 2 de junho de 2012

Soror-Mariana

Cortaram os trigos. Agora
A minha solidão vê-se melhor.

in O nome das coisas de Sophia de Mello Breyner Andresen.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Dalton Trevisan

Ainda não o conheço assim tão bem, mas estou a ler  "O cemitério dos elefantes" , o único volume do autor que encontrei na biblioteca, e é realmente fenomenal. Por isso redobro o conselho: não deixem de o ler.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Andar por aí

"Porque andar por aí é bom e dizem que faz bem."
E porque ler é bom e também faz bem, este é um bom livro para os mais pequenos se deliciarem : "Andar por aí " de Isabel Minhós Martins e ilustração de Madalena Matoso.





sábado, 19 de maio de 2012

Desenhar em tecido * Draw fabric


Pensei que ia estragar a t-shirt, mas não saiu nada mal, pelo menos os meus filhos gostaram muito.
O material necessário é uma t-shirt lisa e marcadores para pintar em tecido.

I thought i would ruin the t-shirt, but nothing came out wrong, at least my kids liked it a lot.

The material needed is a plain t-shirt and fabric paint markers.




Antes * Before



















Depois * After




















sexta-feira, 18 de maio de 2012

Bolo de mel e alfarroba * Honey cake and carob

 Este é um bolo extremamente aromático e delicioso. É um bolo denso, que faz lembrar o inglês Christmas cake. É uma receita típica do Algarve, ligeiramente alterada por mim. Vale a pena experimentar.

Ingredientes:
-3 ovos
-3 dl de leite
-100 g de mel
-150 g de açúcar
-250 g de farinha de trigo
-2 colheres de chá de fermento
-60 g de farinha de alfarroba
-50g de manteiga
-2 colheres de chá de canela
-2 cravinhos moídos
-1 colher de café de noz moscada moída
-50 g de amêndoa moída

-1 chávena de açúcar ( para o caramelo).

Modo de Proceder:
Batem-se os ovos com o açúcar.
Juntam-se todos os outros ingredientes, um a um.

Derrete-se o açúcar e unta-se a forma com o caramelo.

Coloca-se a massa na forma.
Se for do agrado podem-se espalhar por cima cascas de laranja cristalizadas, passas e nozes ou outras a gosto.
Leva-se a cozer em forno pré-aquecido a 180º C durante 30 a 40 minutos.

This is an extremely aromatic and delicious cake. It is a dense cake, reminiscent of the English Christmas cake. It is a typical recipe of Algarve, slightly modified by me. It's worth trying.

ingredients: 


-3 eggs

-3 Dl milk

-100 G of honey

150 g of sugar

-250 G of wheat flour

-2 Teaspoons of baking powder

-60 G of locust bean flour

-50g of butter

-2 Teaspoons cinnamon

-2 Cloves crushed

-1 Teaspoon of ground nutmeg

-50 G of almonds

 

-1 Cup sugar (for caramel).


How to Proceed:

Beat the eggs with the sugar.

Join all the other ingredients, one by one.

Melt sugar and spread the caramel in the tin.

Place dough in the tin.

If it pleases, can be spread on top candied orange peel, raisins and or nuts to taste.

It cooks in 180ºC preheated  oven for 30-40 minutes.



quinta-feira, 17 de maio de 2012

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Colours in the rain



















Lá fora chove, o dia acordou cinzento, cá dentro há muita cor.

Outside it rains, the day woke up gray, here inside there is plenty of color.

sábado, 5 de maio de 2012

A Mãe

A mãe
é uma árvore
e eu uma flor.

A mãe
tem olhos altos como estrelas.
Os seus cabelos brilham
como o sol.

A mãe
faz coisas mágicas:
transforma farinha e ovos
em bolos,
linhas em camisolas,
trabalho em dinheiro.

A mãe
tem mais força que o vento:
carrega sacos e sacos
do supermercado
e ainda me carrega a mim.

A mãe
quando canta
tem um pássaro na garganta.

A mãe
conhece o bem e o mal.
Diz que é bem partir pinhões
e partir copos é mal.
Eu acho tudo igual.

A mãe
sabe para onde vão
todos os autocarros,
descobre as histórias que contam
as letras dos livros.

A mãe
tem na barriga um ninho.
É lá que guarda
o meu irmãozinho.

A mãe
podia ser só minha,
mas tenho de a emprestar
a tanta gente...

A mãe
à noite descasca batatas.
Eu desenho caras nelas
e a cara mais linda
é a da minha mãe.

in Poemas da mentira e da verdade de Luísa Ducla Soares

Dia da Mãe



















Presente.

Gift.

A Locomotiva de Julian Tuwin

Brown & Blue



















Aqui.

Here.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Saber viver

Viver é encontrarmos continuamente em nós algo para oferecer, e ultrapassar o limite do nosso amor.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Gente pequena



















Segundo a tradição Maia, quando as pessoas tinham preocupações ou tristezas, segredavam-nas às suas bonecas "Quita-penas" que expulsavam-nas para longe. Daqui.

According to Mayan tradition, when people had concerns or sorrows, whispered them to her dolls "Pimp-downs" that drove them away. From here.

domingo, 29 de abril de 2012

O carnaval dos animais

Ontem a tarde terminou com um belo concerto. Aqui fica um  pouco da obra.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Navegar é preciso

Para quando só a poesia me salva

segunda-feira, 23 de abril de 2012

"Ó que papas tão guapas"

Apesar das dificuldades de  ter uma cozinha do século passado, gosto imenso de cozinhar e de comer também. Esta é sem dúvida uma receita que vou experimentar.

domingo, 15 de abril de 2012

O meu preferido

Aqui na orla da praia, mudo e contente do mar,
Sem nada já que me atraia, nem nada que desejar,
Farei um sonho, terei meu dia, fecharei a vida,
E nunca terei agonia, pois dormirei de seguida.

A vida é como uma sombra que passa por sobre um rio
Ou como um passo na alfombra de um quarto que jaz vazio;
O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é;
A glória concede e nega; não tem verdades a fé.

Por isso na orla morena calada e só,
Tenho a alma feita pequena, livre de mágoa e de dó;
Sonho sem quase já ser, perco sem nunca ter tido,
E comecei a morrer muito antes de ter vivido.

Dêem-me, onde aqui jazo, só uma brisa que passe,
Não quero nada do acaso, senão a brisa na face;
Dêem-me um vago amor de quanto nunca terei,
Não quero gozo nem dor, não quero vida nem lei.

Só, no silêncio cercado pelo som brusco do mar,
Quero dormir sossegado, sem nada que desejar,
Quero dormir na distância de um ser que nunca foi seu,
Tocado do ar sem fragrância da brisa de qualquer céu.

in Poesias de Fernando Pessoa

O ruído do mundo

O ruído do mundo é tão terrível que só podemos suportá-lo se estivermos agasalhados pelo sono.

in Morrem mais de mágoa de Saul Bellow

sábado, 14 de abril de 2012

O baptismo da boneca

Encontrei-o no fundo de uma gaveta, um papel velho, enrugado e rasgado, não sei quantos anos tem ou quem escreveu. Está incompleto, mas mesmo assim vale a pena.

 1º
Junto de um berço adornado
com rendas de alto valor,
vinte rostinhos alegres
se agitavam com ardor.
Falavam! as tagarelas!
Oh, Deus! que inventaram elas!
Vão um baptismo fazer
na festa nada faltava;
Tudo ria e conversava
nesse inocente prazer.


Molemente reclinada
no seu bercinho gentil,
a bonequinha enfeitada,
mostrava o rosto infantil;
a respeitável madrinha
que apenas dez anos tinha,
em seus braços a tomou;
e toda a turba, apinhada
ao redor da baptizada,
em grupo se amontuou.


Doces, confeitos, gelados,
com gastos e com profusão,
as louquinhas tudo haviam
preparado de antemão;
Que hoje em dia felizmente
uma boneca decente
não se pode baptizar
sem flores e doces finos...
nem os repiques dos sinos
lhe haveriam de faltar!


Apenas cada menina
o seu bolinho comeu.
A respeitável madrinha
à festa principio deu:
minhas amigas queridas,
que estais aqui reunidas
para a Bebé baptizar,
já que fostes convidadas,
fingi que sois boas fadas
e vinde a Bebé fadar.


Tu, primeiro, Margarida,
responde: que lhe darás?
-Eu quero que seja linda.
E tu  Rosa, que lhe dás?
-Eu concedo-lhe a riqueza.
E tu pequena Tereza?
-Eu quero que dance bem.
-Eu, que ela tenha talento.
-Eu, que num só momento
 cause desgosto a ninguém.


-Eu dou-lhe um riso engraçado.
-Eu, uns dentes de marfim.
-Eu, uns olhos de safira.
-Eu, uns lábios de carmim.
-Eu, uns cabelos dourados,
lustrosos e encanudados.
-Eu...não sei que dar-lhe mais!
-Basta filhas, ( diz sorrindo a mestra, que estava ouvindo)
já mais dotes não achais.

...


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Pink Jacket



















Na loja.

In the shop.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A dor e o amor

A dor e o amor são as lanternas encantadas que iluminam a vida.

Soror Mariana

domingo, 8 de abril de 2012

Páscoa





















Sai para fora do armário na Páscoa, tem mais de 50 anos e foi extraordináriamente bem feita por uma senhora cega que conhecia as cores pelo cheiro. Bravo.

It jumps out of the closet in Easter, it as more than 50 years and it was extraordinarily well done by a blind lady that knew colours by the smell. Bravo.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Bonecos

Na loja .  Vendido

In the shop. Sold

sábado, 31 de março de 2012

sexta-feira, 30 de março de 2012

conselhos ás senhoras casadas








Eis diversos conselhos ás senhoras, que se fossem seguidos, fariam não só a felicidade dos maridos como das suas caras metades, assegurando assim a paz domestica. Antecipadamente deve convencer-se e que há dois meios de governar uma familia, um pela expressão de vontade que pertence á força; o outro pelo irresistivel poder da doçura, que é muitas vezes superior á força. O primeiro pertence ao marido - a mulher só deve usar do segundo. A mulher que diz «eu quero» deve perder a parte que lhe cabe no governo da familia. A mulher deve evitar sempre contradizer o seu marido. Quando se colhe uma rosa só se espera o prazer dos perfumes, assim da mulher só se deve esperar o agrado. A mulher que se constitui em continuada oposição, é vitima da aversão, aumentada pelo tempo, e de que a não livram todas as qualidades boas que a adornem. Não deve intrumeter-se nos negócios de seu marido e só esperar que ele lhos confie - assim como não deve aconcelhá-lo senão quando ele a consultar.
Não deve mostrar-se irascivel nem altercar com seu marido. Deve dar o exemplo praticando virtudes, porque é a maneira de as fazer praticar. Não exigir coisa alguma, para obter muito; e mostrar-se sempre satisfeita com as dádivas de seu marido, para que o excite a fazer-lhe outras.Muitas vezes os homens são vaidosos e insuportaveis, mas nem por isso se deve contradizer essa vaidade, ainda nas coisas mais livres; e por muito superior que uma mulher se julgue a um marido deve sempre mostrar que não conhece essa vantagem. Quando o marido estiver em erro é conveniente não lho demonstrar logo, e sim por maneiras convenientes; e com doçura e carinho levá-lo a pensar melhor; deixando-lhe sempre o mérito de ser ele quem acertou com o que era menos justo e acertado. Responder sempre ao mau humor de seu marido, com afectuosidades; a seus desacertos com bons concelhos e não se valer nunca de qualquer falta que ele cometesse para lh'os lançar em rosto nem humilhá-lo.
Fazer uma boa escolha das suas amigas, ter poucas, e desconfiar sempre de seus concelhos - nem dar crédito a intrigas para se não tornar odiosa a seu marido nem á sociedade. Gostar muito do aceio; nunca do luxo; vestir-se com elegância mas sempre com decência. Variar o feitio dos seus vestidos e sobretudo as cores; porque se um dia em que se vestir de escuro, por exemplo, houve algum desgosto - no dia seguinte deve vestir-se de branco- porque desta forma distraírá as ideias , evitando recordações desagradáveis. Este concelho parece pueril, mas é pelo contrário mais importante do que se imagina; e muitas mulheres há que bem compreendem o império que exerce nas ideias.
Não se imtrometer nos negócios do marido é atrair-lhe a sua confiança, confiando-lhe todos os seus segredos- observando a maior ordem em tudo , e nunca se aborrecer da sua casa nem do seu estado para que o marido não ache outra mais agradável.Dar sempre a entender que tem em muito apreço as luzes e o conhecimento de seu marido, encarecendo-o sempre, e muito mais diante de estranhos; ainda que para isso seja preciso fazer passar por menos sensata a sua opinião - porque a mulher é sempre levada á altura da apreciação que faz do seu marido. A mulher deve deixar a seu marido a liberdade de suas acções - deve enfim fazer a companhia tão gostosa a um marido, que ele não possa passar sem ela; e que os prazeres fora de casa lhe sejam sempre insipidos quando os não partilhe a sua esposa.


Não sei quem escreveu, mas serve para nos mostrar como era a vida das mulheres do século passado, e como elas, inteligentemente e com doçura conseguiam ter poder junto do seu marido.

quinta-feira, 29 de março de 2012

O amor é liberdade

TEMPO CONTADO: Sem peias nem travões

Li-o para o meu marido,que por ser inseguro de feitio por vezes esquece que estamos "presos por vontade", que nós somos dois mas o nosso caminho é só um.

I read it to my husband, that being unsure of temper sometimes he forgets that we are "trapped by will," we are two but our path is only one.

quarta-feira, 28 de março de 2012

As andorinhas


 Elas chegaram na primavera, tinha eu 18 anos, entraram por um vidro que se tinha partido e nunca se colocou novo e instalaram-se na cozinha.
 Era um casal, fizeram o seu  ninho e puseram lá os seus ovos.
 Ficámos muito felizes e honradas por termos sido agraciadas com a sua companhia.
 Ao fim de algum tempo, tínhamos nós acabado de jantar e estávamos à conversa quando um grande alarido nos sobressaltou, as andorinhas voavam em roda do ninho, chilreando frenéticas e nitidamente felizes. Presumimos que as suas crias tinham saído do ovo. Ficámos felizes com elas e por elas e abençoadas por fazermos parte daquele momento.
 A primavera acabou, veio o verão, as crias cresceram e já acompanhavam os pais nos seus voos acrobáticos, até que o verão acabou. As andorinhas juntaram-se ao seu bando e foram-se embora.
 Na primavera seguinte voltaram, os pais e os filhos, presumimos nós. Os pais ocuparam o seu ninho, os filhos construíram os seus e uma nova geração surgiu.
 Num fim de tarde de verão, chegava eu a casa, uma das crias, que tinha entrado na divisão ao lado da cozinha, debatia-se contra a janela desesperada para sair dali. A sua família aflita, chilreava sem parar à porta da cozinha, que estava aberta. Embrulhei a andorinha num casaco, com cuidado para não a ferir, peguei-lhe ao colo, levei-a lá para fora e libertei-a. Voou para junto da sua família que correu ao seu encontro também. De seguida, para meu espanto, voaram à minha volta, chilreando felizes, muitas chegaram a tocar-me a cabeça, voei com elas.
 Tomei aquilo como um agradecimento e aquele momento ficou na minha memória como sendo o mais belo e dos mais felizes da minha vida.



They arrived in the spring, i had 18 years, they went by a glass that had broken and never put new and settled in the kitchen.
It was a couple, have made their nest and laid their eggs there.
We were very happy and honoured to have been blessed with their company.
After some time, we were chatting after dinner when a big fuss called our attention, the swallows flew around the nest, frenetic and clearly happy. We assume that their babies had come out of the egg. We were happy with them and for them, and blessed by doing part of that moment.
The spring was over, the summer came, the chicks have grown and have accompanied their parents in their acrobatic flights. The summer was over. The swallows joined his band and went away.
The following spring they returned, parents and children, we presume. Parents occupied their nest, their sons built their one and a new generation emerged.
During a summer afternoon, I came home, one of the Cubs, who had entered the room next to the kitchen, was flying against the window strogling to get out of there . His family worried was at the door  twitting non-stoping.I wrapped it up with a jacket carefully not to injure, caught him to lap, took it outside and set it free.  It flew to the family who went to meet him too. Then, to my astonishment, they flew around me, happy in a frenetic twitting and flight, many touched my head, I flew with them.
I took it as a thank you and that time stuck in my memory as being the most beautiful and happiest of my life.